
A visão do lago, das aves, das árvores, a natureza que se divide com os passantes. As crianças que brincam com suas bolas e bicletas, o algodão doce, o riso solto das famílias em uma segunda- feira. No brinquedo grita um pipoqueiro. Os adeptos da vaidade ou do condicionamento físico. A quadra de esportes e o campo de futebol. E no meio do gol, entre a trave, a rede, a bola e o chute percebi que ele ali dormia. Quieto, sem fazer barulho. O banco e o chinelo. Parecia não querer incomodar. Dormia embalado pelo vento, pelo mato, pelo cheiro do mato, da terra. A inquietude vinha de quem olhava. Fazer de conta que está despercebido. A poesia da desigualdade merecia um registro. E para ver não foi preciso recorrer a Cora, Clarice, Drummond, Cecilia, Álvares e nem Camões. Nossa poesia urbana não me é motivo de orgulho, mas de tristeza e de indgnação. Apenas escrevo essas linhas e mostro um pouco do que muito temos e pouco vemos.
Local: Parque da Aclimação
Foto: Alessandro Moura
Miséria, abandono, solidão no parque, mas poesia não falta no seu olhar...poesia a todo custo, poesia prara manchar e dar cores a aridez urbana.
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