segunda-feira, 7 de junho de 2010

"Santa Joana dos Matadouros", de Brecht




Com direção de José Renato, “Santa Joana dos Matadouros”, de Bertolt Brecht estréia com casa cheia em São Paulo. Em curta temporada o espetáculo pode ser conferido e apreciado até o fim de junho.



O fundador do Teatro de Arena, e um dos mais importantes diretores em atividade no Brasil, leva ao palco do Teatro Denoy de Oliveira um espetáculo vibrante, que retrata a grande depressão do início do século 20, mas que em tudo lembra a crise desta primeira década de século 21. A produção é do Centro Popular de Cultura da União Municipal dos Estudantes Secundaristas (CPC-UMES).
Com um elenco de 15 atores e atrizes, além de três músicos, a peça trata das tensões entre capitalistas e das agruras vividas pelos trabalhadores de Chicago durante o inverno e no auge da crise econômica de 1929. O autor coloca em cena os mecanismos que produzem a crise: superprodução, falta de mercado para escoá-la e os principais empresários tentando compensar queda nos lucros através da especulação e do aumento da exploração, o que, por sua vez, leva a mais quebradeira, mais fome e produz seu oposto: os movimentos operários contra o fechamento das fábricas.
Na trama, Jack Pierpoint (Alexandre Krug), o rei da carne de Chicago, recebe informações de “seus amigos de Nova Iorque”, sobre a iminência da crise. Tenta safar-se, jogando o prejuízo nas costas de seu sócio Ambrósio (João Ribeiro). O resultado será o fechamento das fábricas e o desemprego em massa. Tentando salvar a alma dos demitidos, aparece Joana (Érika Coracini), jovem pregadora dos Chapéus Negros. O encontro da inocência útil de Joana e da consciência ao mesmo tempo pesada e esperta de Pierpoint resultará em um agravamento ainda maior da crise.
Em “Santa Joana” as emoções estão a serviço do entendimento de como a crise pode propiciar diferentes desfechos e de como estes desfechos dependem da ação, das decisões de cada agente social em enfrentamento. É um desafio, um texto complexo em que a pena arguta de Brecht trata destes mecanismos, das multidões que eles colocam em movimento.
Um desafio muito bem ilustrado pelas palavras do diretor José Renato: “Considero, pela minha experiência, esta encenação um espetáculo vivo, criado, em sua maioria, por atores jovens e motivados, e, por isso mesmo, polêmico e sujeito a alterações criativas”.




Essa obra, pelas elucidações que é capaz de encaminhar com precisão e profundidade poética e dramática, demonstra plena atualidade – mesmo depois de 80 anos de sua conclusão. Num momento em que uma crise – talvez a mais profunda da história do capitalismo – é caracterizada pela montanha de derivativos sem lastro, engendrados nos EUA, a realidade, já não nos deixa mais acreditar que “a desgraça vem como a chuva” – como a bispa Bárbara empenha-se em dizer aos operários.
Ao colocar diante do espectador a percepção de classes em movimento, Brecht põe em prática sua visão de teatro épico em que como diz o dramaturgo. “só poderemos descrever o mundo atual para o homem atual na medida em que descrevermos um mundo passível de modificação”.



Serviço:
A peça estréia no dia 4 de junho e fica em cartaz todos as sextas, sábados (21h) e domingos (19h). Ela será apresentada no Teatro Denoy de Oliveira, rua Rui Barbosa, 323, Bela Vista – Tel: 3289-7475.
Ingressos: R$ 20,00 (inteira) e R$ 10,00 (estudantes, terceira idade, classe artística e professores da rede estadual com carteira da APEOESP),

Ficha Técnica:
Direção: José Renato
Tradução / Adaptação: Valério Bemfica
Direção Musical / Assistência de Direção: Luciano Carvalho
Cenografia: Cris Cortilio
Figurinos: Magê Blanques
Vídeos: Bernardo Torres
Operação Som / Luz / Vídeo: Ana Cristina Bezerra, Luz Lopes, Thiago Prates
Projeto Gráfico: Janaína Torres
Fotos: Marcelo Kahn
Cenotécnico: Cleyton Caetano
Maquinistas: Bruno Oliveira, Leandro Paneque, Luiz Aparecido do Carmo
Produção: CPC-UMES
Apoio de Produção: Forte Casa Teatro

Elenco (em ordem alfabética):
Alessandro Moura – Don Salvatore / Líder Operário
Alexandre Krug – Jack Pierpoint
Bruna Amado – Chapéu Negro / Operária
Daniel Rodríguez – Jovem Operário / Criador / Policial
Érika Coracini - Joana
Felipe Ormeni – Big Joe / Policial
João Ribeiro – Don Ambrosio
Luiza Maia – Chapéu Negro / Gazeteiro / Secretária / Operária
Magê Blanques – Dona Abiggail / Chapéu Negro
Mário Zanca – Don Giuseppe
Natália Grisi – Chapéu Negro / Dona Sarah / Operário
Rafael Marques – Chapéu Negro / Contramestre / Operário
Rebeca Braia – Bispa Bárbara / Chapéu Negro / Operária
Rogério Nagai – Operário / Criador / Policial
Wilson Mandri – Tommaso

Músicos:
André Teles – Músico / Segurança / Operário
Adriana Mioni – Músico / Operário
Luciano Carvalho – Músico / Narrador / Jornalista

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