domingo, 3 de abril de 2011

Crianças autistas encontram apoio na Ginástica Olímpica

Aulas trabalham lado sensorial, motor e cognitivo
Texto: Alessandro Moura




Barra, salto, balanço e escorrega. Parece até um parque de diversões, mas se trata de uma Arena Olímpica, onde as crianças aprendem a lidar com seus medos e trabalham seu lado sensorial, motor e cognitivo.

As crianças chegam com problemas sensoriais, para se te ruma idéia o balanço para eles é como se fosse uma montanha russa. O autista fica rodando para se integrar sensorialmente. A dificuldade auditiva exige que eles fiquem em locais com o menor número de barulho possível, explica Rodrigo Brívio que há nove anos desenvolve um trabalho direcionado. O interesse de Rodrigo começou logo na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), onde cursou Educação Física. Durante a sua formação foi convidado para trabalhar no projeto Vila Olímpica da Maré, depois foi trabalhar no Centro Integrado de atendimento ao deficiente (CIAD) e depois na Vila Olímpica de Acari.

As aulas duram cerca de 30 minutos e o trabalho de psicomotricidade, atividades que englobam uma série de exercícios para a coordenação motora são os primeiros a serem aplicados. Atualmente Rodrigo trabalha com crianças de 3 à 15 anos, mas ele avisa que não tem idade para iniciar. Segundo o professor em pouco tempo é possível perceber melhorias como: alto confiança, disciplina, interação, afeto e contato ocular.

‘Eu acredito que tudo é possível, dentro das limitações de cada um.” Rodrigo Brivio, professor de Ginástica Olímpica.

Através dos exercícios da ginástica artística fazemos uma combinação da parte motora com a cognitiva e a sensorial. Não existe diferença entre as crianças autistas ou não. As aulas são iguais. Desenvolvo trabalhos com reconhecimento de cores e letras, mas também poderia ser feito com as outras crianças.

Existem poucos projetos como esse e os projetos da prefeitura atendem os autistas como atividade física, não é algo tão direcionado que tenha um desenvolvimento com cada um, ressalta Rodrigo Brívio.

Para o professor o maior desafio é desenvolver uma comunicação com uma criança que não fala, saber seus anseios, a hora de ir embora ou ir ao banheiro. Mas com o tempo ele já sabe e as crianças já o conhecem e fica mais fácil. “Hoje um dos meninos chegou e me puxou até a porta do banheiro, já entendi que ele queria ir” comemora Brívio. Algo interessante é que eles geralmente tem medo do salto, mas adoram e sentem grande sensação de prazer. Quando não querem fazer alguma atividade eles ficam mais nervosos e demonstram com mais força.

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