domingo, 3 de abril de 2011

Georgette Vidor em entrevista exclusiva

A vida e a carreira de uma das maiores esportistas do Brasil
Texto: Alessandro Moura


Uma coleção de títulos e vitórias cercam a história da técnica de Ginástica Olímpica Georgette Vidor. São mais de 30 anos de experiência, 20 anos como técnica do Clube de Regatas do Flamengo e 15 anos de seleção brasileira. Conquistas que somam mais de 50 títulos. Luísa Parente, Soraya Carvalho , Daniele Hypólito estão entre as 52 ginastas formadas por Georgette Vidor que chegaram a seleção brasileira . Após grave acidente em 1997, a técnica fica paraplégica e mostra para o mundo um exemplo de superação e força. Deputada Estadual, Presidente da Ong Qualivida, Supervisora geral das arenas de Ginástica Artística nas Academias A!BodyTech, participante do Programa Cidade Inclusiva da Rádio CBN e desde fevereiro de 2009 coordenadora da Seleção Brasileira Feminina de Ginástica Artística. Em entrevista exclusiva Georgette Vidor solta o verbo e fala sobre a falta de preparação de novas ginastas, técnicos despreparados, olimpíadas e desafios.



Rio No Esporte: Como está a preparação para as olimpíadas?

Georgette Vidor : "Parei de treinar em 2004, quando fui deputada. Sempre fui a grande treinadora das ginastas e quando sai ninguém preparou as próximas meninas. Temos muita gente pra 2016, mas para 2012 nos estamos apertados.Meu desafio agora é preparar o grupo de 2016 e capacitar os treinadores para substituir os estrangeiros. Estou preocupada... A Daniele ( Hipólito) está em sua quarta olimpíada, vai ser a atleta que mais participou, mas a Dani está com 26 anos...eu não posso passar um treinamento pesado. A Jade vem de uma lesão séria que não aumenta, mas está lá. Ana Claudia acaba de operar o joelho, problemas com o ombro e o pé.... A Priscila e a Bruna estão bem...são sete ou oito ginastas e o treinamento é animal para a elite do esporte. Difícil não poder reforçar o treinamento...Para 2012 ainda não sei como vai ser....demoram oito anos pra se formar uma atleta. Ano passado me convidaram para ser a treinadora técnica do feminino. A missão é recuperar as meninas na cabeça e no físico.Meu sonho é ter um centro de treinamento no Rio, corri atrás com o comitê olímpico e a prefeitura...teremos o centro de treinamento na Barra. Tenho milhões de planos para o espaço. A primeira coisa é manter o resultado. Não quero permanecer com o legado deixado pelos ucranianos : nenhum! Vamos fazer parcerias com os outros estados, popularizar a ginástica, melhorar as condições para capacitar treinadores que hoje não tem capacitação."

Rio No Esporte: Até pouco tempo era um esporte bem desconhecido do povo brasileiro...

Georgette Vidor : A ginástica artística ou olímpica começou a aparecer no cenário nacional em 2001, Daniele Hipólito ganhou a primeira medalha para o Brasil, em um Campeonato Mundial e Daiane dos Santos foi bi Campeã Mundial. O esporte ganhou visibilidade no PIS, mas foi graças a lei Agnelo Piva tivemos apoio financeiro que veio direto do comitê olímpico. Há 14 anos começamos tudo sem verba, sem planejamento...o resultado que tínhamos era do nosso esforço próprio.



"Sempre fui a grande treinadora das ginastas e quando sai ninguém preparou as próximas meninas. Temos muita gente pra 2016, mas para 2012 nos estamos apertados." Georgette Vidor



Rio No Esporte: Depois do acidente o que mudou na carreira?

Georgette Vidor : "Mudou tudo na minha vida...Dependo inteiramente das pessoas...perdi coisas que gostava tanto de fazer...Dançar, dar meia volta na lagoa antes de ir pro treino...Sinto saudades da independência. Mas por outro lado muitas oportunidades surgiram. Houve uma grande comoção nacional que me deu visibilidade hoje desenvolvo trabalho com uma ONG em 9 municípios do Rio de Janeiro e já temos mais 18 pólos de ginástica. Comecei a fazer um trabalho para popularizar a ginástica e faço parte de um programa de rádio... O esporte ensina a superar as dificuldades..."

Rio No Esporte: Você é apontada como a melhor treinadora do Brasil. O que diferencia seu trabalho dos outros?

Georgette Vidor : Sou rígida, muito dura com as atletas, mas elas confiam muito em mim. Depois do acidente achei que perderia isso, que elas não iriam querer treinar comigo. Isso não aconteceu...eu tenho um grande amor pela ginástica. Não tenho férias, feriados. Eu marco treinos até em dias de domingo....quando sei da importância do que faço eu me dedico. Quando acaba um campeonato e ganhamos eu já penso no dia seguinte. Entreguei minha vida para a ginástica.



"Não quero permanecer com o legado deixado pelos ucranianos : nenhum!"
Georgette Vidor



Rio No Esporte: Porque resolveu entrar na política?

Georgette Vidor : No Flamengo tinha a história de que o clube precisava de uma representação. Ai sugeriram meu nome como candidata a vereadora. Mas as eleições acontecem em ano olímpico, ai fica difícil. A Patrícia Amorim se candidatou e venceu. Depois foi minha vez na luta para defender os esportes e o Flamengo. Com os problemas que enfrento com a deficiência comecei a luta pelas pessoas com necessidades especiais...

Rio No Esporte: Durante seus mais de 30 anos de carreira, você teve que abrir mão de algo importante?

Georgette Vidor : Abri mão de ter filhos. Não queria dividir meu tempo. Hoje estou no meu quarto casamento...e veja só com meu primeiro namorado. Nos reencontramos depois de 28 anos.

Rio No Esporte: E o que as atletas perdem começando tão cedo na carreira?

Georgette Vidor : Atletas de alto rendimento, além de serem talentosos tem boa cabeça. Não existe esse sentimento de perder a infância...eles nascem com aptidão. Estão preparados para isso, com habilidades especiais...Eles tem suas conquistas superando seus limites.

Rio No Esporte: Qual o significado do Flamengo em sua vida?

Georgette Vidor : Fiquei no Flamengo por 20 anos. Tenho uma relação afetiva de grande envolvimento emocional. Sou conselheira nata e sócia proprietária. Fui 15 vezes campeã juvenil e 12 vezes adulta.

Rio No Esporte: E o mito de que a ginástica olímpica faz com que os atletas fiquem baixos e troncudos?

Georgette Vidor : "É um mito de gente ignorante...tudo depende de genética...se você tem pais baixinhos...não adianta tomar hormônio ou fazer basquete...vai ficar baixinho.... A escolha dos atletas da ginástica tem como preferência os mais baixos pela rapidez e giros. Quanto maior, mais é o centro de gravidade maior será a falta de equilíbrio."

Rio No Esporte: Qual o perfil de quem quer fazer carreira na Ginástica Olímpica?

Georgette Vidor : Para os que são magrinhhos, fortinhos (músculos sobressaltados) e crianças que adoram ficar de cabeça pra baixo e pular na cama...esse é o perfil de quem quer fazer ginástica olímpica.

Rio No Esporte: Georgette por Georgette?

Georgette Vidor : Sou uma pessoa que gosta do que faz, batalhadora, franca ( ás vezes me dou mal por isso) e verdadeira.

Rio No Esporte: Uma frase

Georgette Vidor : "Vencer, vencer e vencer"

http://www.rionoesporte.com.br/index.php?option=com_content&view=article&id=110:-georgette-vidor-em-entrevista-exclusiva&catid=8:noticias-3&Itemid=24

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